Princesa Emily
Monday, 22 September 2008
Sem Filhos
Sem filhos

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Hoje assisti o debate que passou no happy hour sobre a possibilidade da mulher do seculo XXI escolher QUANDO e SE quer ter filhos, baseado no livro da Francesa Corinne Maier ( Sem filhos-40 razoes para voce não ter) e a cronica FILHO E' PARA QUEM PODE da Monica Montone. O tema deu muito pano pra manga como esperado e enveredou caminhos diversos.

Um dos pontos da discussao foi o preconceito sofrido por mulheres que optaram por nao ter filhos, imagino o quanto a pressao seja grande em torno delas pois ainda ha muito impregnado a visao da mulher somente se realizar apos ter um filho, mas achei a discussao super valida porque sinto que realmente independentemente das pressoes externas, as pessoas devem ouvir o seu coracao, a sua natureza. Acho que algumas pessoas tendem a querer se realizar no filho, pensam que ele ira trazer as respostas para as suas questoes, ou realizar o seus sonhos... isso na minha opiniao eh uma carga grande para uma crianca que tera seus proprios sonhos, seus proprios medos e nao sera uma copia da mamae e do papai. Algumas pessoas pensam em ter filhos como uma forma de nao se sentirem so' no futuro, apesar de que infelizmente isso nao eh uma garantia de que a pessoa se completara emocionalmente e sera incondicionalmente amada por toda a vida.

Pra mim, e' preciso mais que ser biologicamente saudavel para ser mae, e tirando todo o aspecto romantico nem todas as mulheres querem esse papel, eu penso que isso e' tao particular que nem deveria ser discutido com tanto impeto. Exige sim, renuncia de algumas coisas, e como todo mundo tem suas prioridades - cada ser e' unico - eu nao acho que realmente uma mulher deve exercer um papel porque a sociedade exige isso dela, falo isso porque um bebe precisa ter uma atmosfera de amor e dedicacao.

Em mim e' tao forte o instinto maternal que sempre soube que seria mae. E' fato. Minha Emily nao e' uma extensao de mim, realizara os seus proprios sonhos e desta forma tambem realizara meu sonho: ve-la feliz! Ser mae eh aprender pra ensinar. Percebi que depois de me tornar mae tento ser uma pessoa melhor, conheci um outro lado da vida, e a minha vida ficou mais bonita, cheia de novos sentidos, novos desafios e realizacoes! Ser mae e' algo tao inexplicavel, uma jornada maravilhosa! tem seus obstaculos, exige aprendizado e paciencia, mas....... a recompensa!... Ah, a recompensa!!! E' sentir o maior amor do mundo! E' tao maravilhosa e feliz a tarefa de ser mae, para quem realmente a embraca, pra quem realmente sente que a quer realizar! Que bom que a mulher da nossa era pode ser o que quiser.

Eu poderia passar horas aqui escrevendo sobre as alegrias de ser mae!

Eu sou uma mae feliz de carteirinha, mas respeito sim a vontade de cada mulher. Essa e' a minha opiniao, e qual eh a opiniao de vcs amigas?

Segue abaixo o texto que li hoje:

:: Filho é para quem pode ::
Por Mônica Montone

Filho é para quem pode!

Eu, não posso! Apesar de ser biologicamente saudável.

Não posso porque desconheço o poço sem fundo das minhas vontades, porque às vezes sou meio dona da verdade e porque não acredito que um filho há de me resgatar daquilo que não entendo ou aceito em mim.

Acredito que a convivência é um exercício que nos eleva e nos torna melhores, mas, esperar que um filho reflita a imagem que sonhamos ter é no mínimo crueldade.

Não há garantias de amor eterno e o olhar de um filho não é um vestido de seda azul ou um terno com corte ideal. Gerar um fruto com o único intuito de ser perfumada por ele no futuro é praticamente assinar uma sentença de sal.

Filhos não são pílulas contra a monotonia, pílulas da salvação de uma vida vazia e sem sentido, pílula “trago seu marido de volta em 9 meses”.

Penso que antes de cogitar a hipótese de engravidar, toda mulher deveria se perguntar: eu sou capaz de aceitar que apesar de dar a luz a um ser ele não será um pedaço de mim e portanto não deverá ser igual a mim? Eu sou capaz de me fazer feliz sem que alguém esteja ao meu lado? Eu sou capaz de abrir mão de determinadas coisas em minha vida sem depois cobrar? Eu sou capaz de dizer “não”? Eu quero, mesmo, ter um filho, ou simplesmente aprendi que é para isso que nascemos: para constituir uma família?

Muitas das pessoas que conheço estão neurotizadas por conta de suas relações com as mães. Em geral, são mães carentes que exigem afeto e demonstração de amor integral para se sentirem bem e, quando não recebem, martirizam os filhos com chantagens, críticas e cobranças.

As mães podem ser um céu de brigadeiro ou um inferno de sal. Elas podem adoçar a vida dos filhos ou transformar essas vidas numa batalha diária cheia de lágrimas, culpas e opressões.

Eu, por exemplo, não consigo ser um céu de brigadeiro nem para mim mesma, quiçá para uma pessoinha que vai me tirar o juízo madrugadas adentro e, honestamente, acho injusto colocar uma criança no mundo já com essa missão no lombo: fazer a mamãe crescer.

Dar a luz a um bebê é fácil, difícil é ser mãe da própria vida e iluminar as próprias escuridões.

Mônica Montone
 

Por Mamãe Andressa às 13:23